segunda-feira, 7 de março de 2011

UM CASO DE HISTERIA

UM CASO DE HISTERIA
Dr. Sigmund Freud

uma jovem de dezoito anos de nome Dora, seu tratamento teve duração de 3 mêses.
É um fragmento de análise de um caso de histeria em que as explicações se agrupam em torno de dois sonhos.
Cita ainda resoluções de sintomas histéricos e considerações sobre a base sexual-orgânica da enfermidade.
Uma histeria com tussis nervosa e afonia, em que cujas origens podem ser encontradas nas características de uma chupadora de dedo; e o papel principal nos processos psíquicos em conflito é desempenhado pela oposição entre uma atração pelos homens e outra pelas mulheres.

Nascimento de Dora.
Pai tuberculoso.
Família muda-se para B
Enurese noturna.
Dispnéia.
Deslocamento da retina do pai.
Crise confusional do pai.
Visita dele a Freud.
Enxaqueca e tosse nervosa.
Cena do beijo.
Primeira visita de Dora a Freud.
Cena junto ao lago.
Morte da tia.
Dora em Viena.
Apendicite.
A família deixa B e se muda para a cidade onde ficava a fábrica.
A família se muda para Viena.
Ameaça de suicídio.
Tratamento com Freud.

O pai era a pessoa dominante desse círculo, ela tinha um irmão um ano e meio mais velho. Quando a menina tinha cerca de dez anos o pai sofre uma cirurgia na retina e
depois descobre que tem sífilis (paralisia tabética), Freud o submete a um tratamento antiluético enérgico, no qual se recupera da doença.
Havia uma tia com a qual Dora se identifica mais tarde, esta tinha uma forma de psiconeurose sem sintomas histéricos. A mãe que tinha mania de limpesa "psicose da
dona-de-casa" não exercia influência (aparentemente) sobre a Dora.Ad mirava o irmão mas quando este começou a apoiar mais a mãe, esta ja não mais o viu como modelo e ficou mais com o pai.

Nesta época, já aos oito anos começara a apresentar sintomas neuróticos, passou a sofrer de uma dispnéia crônica com acessos ocasionais muito mais agudos, sempre
que o irmão adoecia, algum tempo depois ela contraia a mesma doença e de forma mais grave.
Já aos doze anos, sofria com fortes dores de cabeça unilaterias e enseguida começou com acesso de tosse, sintomas que no inicio sempre apareciam juntos. A enxaqueca tornou-se mais rara e, por volta dos dezesseis anos, desapareceu completamente.

Aos dezeseis anos percisitiam os acessos de tosse, mas agora uma completa perda da voz em meio as crises.
Aos dezoito anos, ela entrou em tratamento comigo, tossia novamente de maneira característica Ainda aos dezoito anos se acostumou a rir dos esforços dos médicos e além disso, ela sempre se opusera a procurar orientação médica, movida pela autoridade do pai foi a que fez consultar Freud.

os principais traços de sua doença agora eram o desânimo e uma alteração do caráter. Mostrava evidencia de insatisfação consigo mesma nem com a família, tinha uma atitude inamistosa em relação ao pai e se dava muito mal com a mãe.
Após a morte de sua tia, ela adoeceu com um quadro febril então diagnosticado como apendicite.
Em uma carta em que ela se despedia deles porque não podia mais suportar a vida, fora encontrada pelos pais, que após uma ligeira troca de palavras entre eles,no dia
seguinte, esta teve um primeiro ataque de perda da consciência - acontecimento também posteriormente encoberto por uma amnésia.

Após uma tentativa de beijo por parte de Her k, Dora demonstra repugnância, a repugnância que Dora sentiu nessa ocasião não se tornou um sintoma permanente,
continuou apresentar acentuada inversão do afeto, o mecanismo dessa inversão do afeto é uma das tarefas mais importantes e, ao mesmo tempo, uma das mais difíceis
da psicologia das neuroses., segundo Freud. Dizia sentir ainda um certa pressão sobre o tórax, essa percepção revoltante para ela foi eliminada de sua memória,
recalcada e substituída pela sensação inocente de pressão sobre o tórax.

Na paranóia, a projeção da censura em outrem sem qualquer alteração do conteúdo, e portanto, sem nenhum apoio na realidade, torna-se manifesta como processo de formação do delírio. Dora acusa o pai por ser insincero, e que havia um traço de falsidade em seu caráter, só pensava em sua própria satisfação e tinha o dom de
arranjar as coisas da maneira que mais lhe conviesse, as censuras de Dora a seu pai estavam assim “forradas” ou “revestidas” de autocensuras de conteúdo idêntico, mas Dora fizera precisamente a mesma coisa, tornara-se cúmplice desse relacionamento e repudiara todos os sinais que pudessem mostrar sua verdadeira natureza.

Cega num sentido, Dora tinha a percepção bem aguçada no outro, pois ao passo que percebia o que ocorria com seu pai e a sra K, não permitia e não queria saber de
nenhum motivo que fizesse as relações do pai com ela parecerem indecentes. Percebera que a sua governanta era apaixonada pelo seu pai, e que percebe que era indiferente para a governanta e se sentiu usada para proporcionar a aproximação de seu pai,desde então passou a vê-la como rival, pois os mesmos comportamentos camuflados da governanta, Dora os usava como artifício de aproximação do Her K. Quando Her K se ausentava Dora manifestava alguma doença, em contrapartida a sra K melhorava na ausência do esposo. Com suas doenças, portanto, Dora demonstrava seu amor por K.,tal como a mulher dele demonstrava sua aversão. A afonia de Dora, portanto, admitia a seguinte interpretação simbólica: quando o amado estava longe, ela renunciava à fala; esta perdia seu valor, já que não podia falar com ele.

Freud teve de assinalar à paciente que seu atual estado de saúde era tão determinado por motivos e tão tendencioso quanto fora a doença da Sra. K.. Não havia nenhuma dúvida, de que ela visava a um objetivo que esperava alcançar através de sua doença. Em todos os casos plenamente desenvolvidos é provável que se encontrem motivos que sustentam a condição do doente. Mas há casos com motivos puramente internos, como, por exemplo, a autopunição, ou seja, o arrependimento e a penitência. Resistência, que lhe ensina que a intenção do paciente de se livrar de seus males não é nem tão cabal nem tão séria quanto parecia.

Freud diz que pelo menos um dos sintoma significa a representação - a realização - de uma fantasia de conteúdo sexual. O elo de ligação e de contradição estava na tosse espasmódica que tinha por estímulo - uma sensação de cócega na garganta -, ela representava uma cena de satisfação sexual entre as duas pessoas cuja ligação amorosa a ocupava tão incessantemente.

Sua “sublimação” - destina-se a fornecer a energia para um grande número de nossas realizações culturais. Portanto, quando alguém se torna grosseira e anifestamente
pervertido, seria mais correto dizer que permaneceu como tal, pois exemplifica um estágio de inibição do desenvolvimento. As psiconeuroses são, por assim dizer, o
negativo das perversões. As forças impulsoras da formação dos sintomas histéricos não provêm apenas da sexualidade normal recalcada, mas também das moções perversas inconscientes. O curso d’água que encontra um obstáculo em seu leito reflui para leitos antigos que antes pareciam destinados a permanecer secos.

Há como que um traço conservador no caráter das neuroses: uma vez formado, se possível, o sintoma é preservado, mesmo que o pensamento inconsciente que nele
encontrou expressão tenha perdido seu significado. são tantas as condições favorecedoras necessárias à transposição de uma excitação puramente psíquica para o
corporal - isso que denominei de “conversão” -, e é tão raro dispor-se da complacência somática necessária à conversão, que o impulso para a descarga da excitação vinda do inconsciente utiliza, tanto quanto possível, qualquer via de descarga já transitável.
Dora admite sua inclinação para o pai quando relata um epsódia da fala de uma prima com a qual ela se identificava, esta relatava a intensão de que a mãe morrese para
ela poder se casar com o pai.

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