terça-feira, 8 de março de 2011

PSICOPATOLOGIA

A Psicopatologia é o estudo das alterações patológicas dos fenômenos psíquicos, como por exemplo, do Pensamento, da Afetividade, Comportamento, etc.

É em Psicopatologia que veremos os delírios, alucinações, alterações de memória, da linguagem, da consciência e assim por diante.

O termo Psicopatologia é de origem grega; psykhé significando alma e, patologia, implicando em morbidade. Entretanto, como seria impossível suspeitar de uma patologia do espírito ou da alma, já que, conceitualmente o espírito não pode adoecer e, já que, filosoficamente só existiria enfermidade no biológico ou no antropológico, os fenômenos psíquicos só seriam patológicos quando sua existência estivesse condicionada a alterações patológicas do corpo.
A Psicopatologia se estabelece através da observação e sistematização de fenômenos do psiquismo humano e presta a sua indispensável colaboração aos médicos em geral, aos psiquiatras em particular, aos psicólogos, sociólogos e a todo o grupo das ciências humanas.

Jaspers conceituou a Psicopatologia como ciência pura, porque via seus objetivos exclusivamente atrelados ao conhecimento. Em sua opinião, quando se estuda a Psicopatologia, deve-se levar em conta que o fundamento real da investigação é constituído pela vida psíquica, representada, compreendida e avaliada através das expressões verbais e do comportamento perceptível do paciente. A Psicopatologia quer sentir, apreender e refletir sobre o que realmente acontece no psiquismo humano e parte do pressuposto de que existe, na normalidade, uma inclinação geral e fisiológica para a realidade.

Conhecer a vida psíquica e suas infindáveis conexões dinâmicas pessoais é tentar representar o universo psíquico através dos fenômenos mentais, portanto, desse modo, Jaspers emprega o termo fenomenologia no sentido restrito de uma psicologia das manifestações da consciência, quer normais, quer patológicas.

Enquanto a Psiquiatria Clínica se constitui num ramo da medicina aplicado às alterações psíquicas, ao diagnóstico, ao tratamento e à profilaxia das doenças mentais, a Psicopatologia se restringe a conhecer e descrever os fenômenos psíquicos patológicos para, dessa forma, oferecer à psiquiatria as bases para a compreensão, mecanismo íntimo e futuro desenvolvimento do psiquismo humano. Compete à Psicopatologia reunir materiais para a elaborar o conhecimento dos fenômenos com os quais a psiquiatria possa coordenar sua ação curativa e preventiva.

Segundo Minkowski, o termo Psicopatologia corresponde mais a uma psicologia do patológico do que a uma patologia do psicológico. Em sua opinião, a psicologia do patológico se refere à descrição global da experiência vivida pelo enfermo e, global, nesse caso, implica em visão holística e integrada do todo psíquico com o todo vivido pela pessoa. Parece-nos que Minkowski se referia ao que conhecemos hoje por Psicopatologia Especial, capaz de elaborar quadros nosológicos a partir do entendimento global dos sintomas, enquanto Jaspers se atinha à Psicopatologia Geral, ou seja, à gênese e fisiopatologia dos sintomas em si.

Embora seja possível destacar manifestações psíquicas isoladas quando observamos o estado psíquico atual de um paciente, como por exemplo, o estado de sua memória, de seu raciocínio, sua sensopercepção, etc., não devemos acreditar na valorização absoluta de quaisquer aspectos da vida psíquica isoladamente, pois, cada aspecto da realidade psíquica só existe em estreita vinculação com as demais ocorrências psíquicas. Uma sinfonia, por exemplo, serve para mostrar que, embora a vida psíquica seja constituída de manifestações academicamente separadas, ela se comporta como algo formado como um todo: a sinfonia se compõe de sons isolados que só obtém significado nas relações entre si, como um todo indissolúvel.

Se não considerar a conjuntura global e dinâmica da vida psíquica, ou seja, se não tiver uma visão fenomenológica, a medicina não compreenderá o que realmente se passa com o paciente. Isso se aplica praticamente a todas as áreas médicas.

Ao se considerar o sintoma isoladamente, como por exemplo uma alucinação e, concomitantemente, definindo a alucinação como "uma percepção real sem objeto", ou o mesmo ao se identificar que tal paciente apresenta um delírio, e que este é definido como "um juízo falso ao qual se apega apesar de todas as provas em contrário", estamos recorrendo a fórmulas verbais tecnicamente e semiologicamente corretas (definições), mas sem levar em consideração o que, de fato, significa para o paciente a experiência alucinatória ou delirante. Nesse caso a medicina deixa de cumprir seu principal objetivo, que é saber o que, exatamente, representa o sintoma (seja uma alteração da sensopercepção, do pensamento ou da pressão arterial) para esse determinado paciente, nessa determinada circunstância.

A medicina geral tem, quando observa e descreve manifestações fisiológicas, incluindo aqui as ocorrências psicopatológicas, uma irrefreável tendência para a redução e fragmentação dos eventos. Descrevemos funções psíquicas, tais como a sensação, a percepção, a atenção, a memória, o pensamento, o juízo, a vontade, etc., ou aspectos parciais da atitude humana, como o estado de ânimo, a excitabilidade, a impulsividade, o domínio dos impulsos, etc., como se tratassem de ocorrências emancipada da pessoa que as experimentam. Descrevemos um transtorno autoimune como se ele existisse fora da pessoa que o apresenta.

Quando encontramos desvios daquilo que consideramos normal, falamos logo de sintomas doentios, muitas vezes sem considerar a circunstância global onde aparece esse elemento não-normal. Devido à essa tendência à fragmentação dos eventos humanos foi formada a maioria dos conceitos e dos preconceitos populares e usuais na medicina. Se isso fosse verdadeiro, teríamos a impressão de que a vida pudesse ser compreendida como um mosaico formado a partir da somatória de manifestações isoladas. Esta impressão, não obstante atraente, não corresponde jamais à realidade.

É assim, por exemplo, que costumamos estudar separadamente a memória do pensamento, a orientação da atenção, o impulso do afeto... Mas essa separação tem uma finalidade meramente didática porque, de qualquer forma, o pensamento pressupõe a existência de lembranças contínuas. E vice-versa, ou seja, cada recordação pressupõe uma realização intelectual significativa. De fato, só nos lembramos daquilo que percebemos, então a sensopercepção também não pode ser, de forma alguma, emancipada da memória. As recordações implicam, o que é importante para nós, a consciência. Então a consciência está envolvida na memória, no pensamento, na sensopercepção... e assim por diante. Quando nos lembramos de um amigo, raramente lembramos que gravata estava usando, mas podemos muito bem lembrar se ele estava alegre ou triste. Dessa forma envolve-se também a sensibilidade ou afetividade.

Um comentário:

  1. Yara que naravilha só hoje descobri esta teu maravilhoso de site .Saibas que amo a Psiquiatria.Meu sonho não realizado.
    Me encanta a farmacologia e como ela atua no cerebro doente .Enfim vou ler mais e mais .
    Parabens amiga imagino que sejas Psicologa ! Beleza Pura como diz meu garoto.

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Agradeço pela visita e o comentário, obrigado.